Os Descobrimentos (1385-1557)

A Dinastia de Avis – a era dos Descobrimentos
10. D. João I, o da Boa Memória (1385-1433)
Fundador da dinastia de Avis, filho ilegítimo de D. Pedro I e de D. Teresa Lourenço, dama da Galiza de origem judia. Nasceu em 1357 e foi eleito mestre da Ordem de Avis em 1364. Quando D. Leonor Teles, depois de assumir a regência em seguida à morte de D. Fernando, mandou proclamar rainha sua filha D. Beatriz, mulher de D. João I de Castela, o mestre de Avis, já então muito popular, foi ao paço e matou o conde Andeiro, protegido da rainha. O povo levantou-se com entusiasmo e aclamou-o Defensor do Reino.
D. João organizou a resistência. Sitiado em Lisboa pelo rei de Castela, defendeu-se tenazmente. Os castelhanos, dizimados pela peste, levantaram o cerco e saíram do reino em 1384. No ano seguinte, D. João foi aclamado rei de Portugal e infligiu ao rei de Castela, que novamente invadira o país, a decisiva derrota de Aljubarrota. Pouco depois, ganhava ocondestável Nuno Álvares Pereira, contra os mesmos inimigos, a batalha de Valverde. Feita a paz, casou D. João I com D. Filipa de Lencastre, de quem teve oito filhos. Seu reinado assinalou-se ainda pela conquista de Ceuta (1415), pela construção do Mosteiro da Batalha e pela descoberta das Ilhas de Porto Santo, por Vaz Teixeira (1418); ilha da Madeira, por Gonçalves Zarco (1419) e o arquipélago dos Açores, por Gonçalo Velho Cabral (1431), iniciando a era dos Descobrimentos portugueses.
11. D. Duarte, o Eloqüente (1433-1438)
Filho de D. João I e e de D. Filipa de Lencastre, nasceu em Lisboa. Subiu ao trono em 14 de agosto de 1433. Seu curto reinado foi cortado de acontecimentos tristes, fomes, pestes e um grande desastre militar em Tânger, mas também foi assinalado pela façanha do navegador Gil Eanes, que em 1434 conseguiu passar ao sul do cabo Bojador, limite das navegações da época, abrindo caminho para a descoberta da costa do Rio do Ouro (1435).
D. Duarte era culto e inteligente, mas lhe faltava firmeza de caráter. Escreveu O Leal Conselheiro e a Arte de bem Cavalgar toda a Sela. Foi o soberano mais ilustrado do seu tempo e possuiu grande biblioteca. Casou com D. Leonor de Aragão. D. Afonso V, seu filho, era ainda criança quando D. Duarte faleceu de peste em Tomar.
12. D. Afonso V, o Africano (1438-1481)
Filho de D. Duarte e de D. Leonor de Aragão, nasceu em Sintra em 1432. Tinha apenas seis anos quando seu pai faleceu. No seu testamento, D. Duarte nomeava sua viúva regente do reino e tutora do pequeno rei. Esta, porém, não era muito simpática ao povo, que não queria ser governado por uma estrangeira. Seguiram-se tumultos e incidentes, que terminaram por fazer as cortes transferirem a regência a seu cunhado, o infante D. Pedro, duque de Coimbra.
D. Afonso V chegou à sua maioridade em 1446, assumindo o governo do reino. Em 1449, inimigos do duque de Coimbra o convenceram de que seu tio e sogro ambicionava a coroa. Avisado por sua filha de que o rei vinha com seu exército para prendê-lo, D. Pedro partiu para Lisboa com suas próprias tropas. As duas forças se encontraram em Alfarrobeira e no combate que se seguiu, D. Pedro foi morto.
Como Afonso V avidamente desejasse conquistar glória pelas armas, fez em seguida várias expedições à África, nas quais se mostrou mais corajoso do que prudente. A fortuna, porém, não cessou de lhe sorrir e Alcácer Ceguer, Arzila e Tânger, que tanto sangue haviam já custado aos portugueses, caíram em seu poder.
Seu irmão mais novo, o infante Henrique, o Navegador, tomou parte na expedição a Ceuta e aí colheu informações que o confirmaram na crença de que havia muitas terras a descobrir para além do cabo Bojador, limite das navegações da época. De volta de Ceuta, foi estabelecer-se no promontório de Sagres e aí fundou uma escola de navegação, um observatório astronômico e estaleiros para construção de navios. Chamou do estrangeiro cosmógrafos e matemáticos ilustres e, com eles e alguns cavaleiros da sua casa, se entregou ao estudo das cartas marítimas. Todos os anos, uma caravela, armada à sua custa e capitaneada por um cavaleiro ou escudeiro do seu serviço, partia à descoberta, mar a fora.
O navegador Nuno Tristão alcançou em 1441 o cabo Branco (Mauritânia) e em 1445 Dinis Dias Fernandes chegou ao cabo Verde (Senegal) e nos anos seguintes foi reconhecida a costa africana até Serra Leoa. Em 1458, ocorreu um notável incidente: uma caravela comandada por Gonçalo Velho Cabral, arrastada por uma tempestade, chegou uma terra desconhecida muito além dos Açores. Quando os marinheiros desembarcaram, foram levados pelos nativos a seu templo, onde verificaram que eram cristãos, observavam o cerimonial romano e possuíam ouro em abundância. Os habitantes da ilha lhes pediram que não partissem antes da chegada de seu senhor, então ausente, que os receberia principescamente e lhes ofereceria muitos presentes. Mas o capitão e os marinheiros, pensando que aquela gente não queria ser conhecida e que assim pudesse queimar o seu navio, retornaram a Portugal, onde informaram o infante D. Henrique, que ficou muito interessado. Entretanto, após sua morte em 1460, os preparativos para a travessia do Atlântico, foram interrompidos – o rei preferia concentrar recursos na exploração da África, mais capaz de dar frutos imediatos.
Enquanto isso Afonso V enamorava-se de uma bela fidalga portuguesa, D. Ana, secretamente convertida ao catarismo e desistia de seu plano de desposar a herdeira do trono de Castela e juntar a coroa de Castela à de Portugal. Em vez disso, concentrou seus esforços em fortalecer as finanças do reino e em apoiar e continuar as explorações iniciadas por seu irmão. Influenciado pela esposa, encetou uma política de tolerância religiosa e, apesar de permanecer fiel ao catolicismo, abrandou a tratamento dado a mouros e judeus e permitiu que o catarismo voltasse a ser praticado à luz do dia, para irritação do clero e do papado.
Discretamente instigado pelo papa, em 1476 o rei de Castela lançou um ataque a Portugal, mas foi derrotado na batalha de Toro pelo exército comandado pelo infante D. João, herdeiro de D. Afonso V.
13. D. João II, o Príncipe Perfeito (1481-1495)
Filho de Afonso V e da rainha D. Ana, nasceu em Lisboa, em 1455. Deu logo nos mais verdes anos provas de coragem, de tino e de precoce experiência, comandando o exército que rechaçou as tropas de Castela em 1476. Em 1481, faleceu D. Afonso V e D. João foi aclamado rei. Logo se afirmou o seu desígnio de engrandecer o poder real e de abater a nobreza, que se tornara arrogante e poderosa.
Nas cortes que reuniu em Leiria, os procuradores dos municípios, obedecendo a inspirações do soberano, acusaram muito fundadamente os fidalgos de usurpar terras pertencentes à Coroa e de praticarem grandes iniqüidades em seus domínios. D. João II ordenou que se procedesse a rigoroso inquérito para averiguar o fundamento destas acusações. Tramaram então os fidalgos resistir pelas armas às ordens do rei, chamando em seu auxílio Castela.
Denunciada ao rei a conspiração, foi o seu chefe, o duque D. Fernando de Bragança, condenado à morte e executado em Évora (1483). Os nobres, com o duque de Viseu, cunhado do rei, à frente, urdiram nova trama para vingar o duque de Bragança, assassinando D. João II, mas este desfez-lhes o plano, apunhalando o duque de Viseu em Setúbal (1484) e mandando punir de morte os outros conspiradores. A partir de então, ninguém mais ousou resistir-lhe e D. João governou tão bem o seu país que a história lhe outorgou o cognome de o Príncipe Perfeito.
Continuando a obra do infante D. Henrique, o rei deu novo e poderoso impulso às navegações. Por sua ordem, Diogo de Azambuja funda na Costa da Mina o castelo de São Jorge e Salvador Fernandes Zarco, neto do descobridor da ilha da Madeira – que por razões numerológicas se fazia chamar pelo pseudônimo de Colombo (1) – retoma o projeto de atravessar o Atlântico e em 12 de outubro de 1482 redescobre a ilha de Antilha à qual Gonçalo Velho Cabral acidentalmente aportara e estabelece relações com o rei Witiza V. Diogo Cão descobre o rio Zaire (1485) e toda a costa de Angola (1486). No ano seguinte, Bartolomeu Dias dobra a ponta meridional da África (a que D. João II dá o nome de cabo da Boa Esperança).
Em 1483, Colombo faz sua segunda expedição, descobre as costas do continente que se estende a oeste de Antilha e o poderoso Império Méxica, governado então pelo tlatoani Ahuízotl. Em 1487, enquanto outros navegadores começam a estabelecer missões comerciais e diplomáticas junto a Witiza e Ahuízotl, sua terceira missão explora as costas atlânticas do novo continente até chegar à Patagônia, no extremo Sul. Após esse extenso mapeamento, o novo mundo passa a ser conhecido com o nome de Colômbia.
D. João II teve as qualidades de um grande rei. Nada escapava ao seu olhar. Todos os negócios importantes do Estado lhe passavam pelas mãos. Era justo, perspicaz e tolerante, como bem o demonstrou, permitindo que entrassem em Portugal milhares de judeus e mouros que o fanatismo religioso de Fernando e Isabel expulsara de Espanha. Morreu em Alvor (1495), havendo suspeitas de que foi envenenado. Do seu casamento com sua prima D. Leonor, filha do duque de Viseu, D. Fernando, teve o soberano dois filhos, o príncipe D. Afonso, que morreu prematuramente num desastre
e D. Manuel, que o sucedeu.14. D. Manuel I, o Venturoso (1495-1521)
Filho de D. João II e de D. Leonor, continuou a bem-sucedida política de tolerância religiosa de seu avô e de seu pai, bem como as explorações marítimas cada vez mais rendosas. Foram tantos os acontecimentos felizes e gloriosos para Portugal, durante o reinado de D. Manuel I, que este ficou sendo chamado o Venturoso. Em 1498, Vasco da gama aporta a Calicute, tendo descoberto o caminho marítimo da Índia, enquanto a quarta expedição de Salvador Zarco, seguindo indicações de indígenas da costa sul-colombiana que falavam da existência de outro grande império no interior, sobe os rios Paraná e Paraguai, até encontrar, à beira deste rio, uma excelente estrada de pedra. Seguindo por terra à frente de um pequeno destacamento, encontra a cidade de Samaipata e e lá é conduzido a Cusco, a capital, onde é recebido pelo Inca Huayna Cápac. Em sua viagem de volta, Zarco é ferido de morte pela picada de uma jararaca, mas a notícia do novo descobrimento é conduzida a Portugal pelo seu lugar-tenente, Aleixo Garcia.
Dois anos depois,
Pedro Álvares Cabral comanda a maior frota até então já armada com uma dupla missão colonizadora. Em 22 de abril de 1500 toma posse oficialmente da costa da Colômbia do Sul para o rei de Portugal – oficialmente denominada Terra de Santa Cruz, mas que logo seria conhecida como Brasil – e nela deixa centenas de homens e funda uma cidade a que dá o nome de Salvador em homenagem ao descobridor do Novo Mundo. Lá deixa parte de sua frota sob o comando do primeiro vice-rei do Brasil, Pero Vaz de Caminha, para defender o litoral de piratas e de possíveis invasões e dar apoio ao trabalho de colonização. Com o restante dos navios, prossegue rumo à Índia, onde estabelece outra colônia portuguesa, que D. Francisco de Almeida e Duarte Pacheco ampliam e consolidam. Enquanto isso, Gaspar Corte Real explora a costa da Colômbia do Norte e chega ao Canadá.Em 1503, nova expedição comandada por Aleixo Garcia inicia a exploração de um imenso rio descoberto por uma das expedições anteriores e é atacado por um grupo mulheres guerreiras, que identifica com as amazonas da mitologia grega. Consegue, porém, fazer as pazes com elas e é convidado a lutar a seu lado na guerra civil que ora despedaçava o que restava do império de Manoa. Põe-se, com seus homens e canhões, do lado da princesa Kawishuana que, depois de vitoriosa, aceita pagar um tributo ao rei de Portugal e prestar-lhe vassalagem. Embora empobrecido pela discórdia interna e pelas rebeliões que haviam reduzido seus domínios às imediações do lago Parima, Manoa impressiona os visitantes com seus templos cobertos de ouro, controla o acesso a ricas minas de ouro e suas valorosas guerreiras fazem respeitar o nome de sua rainha-sacerdotisa ao longo de todo o Rio das Amazonas, abrindo o caminho aos portugueses em toda a bacia amazônica.
Em 1505, Pedro de Mascarenhas descobre um notável arquipélago no Oceano Índico e em 1506, Rafael Boquirroto redescobre a legendária e quase inacessível república de Utopia (conhecida pelos árabes como Al-Asmunain), fundada por refugiados da guerra civil que despedaçara o Império de Alexandre Magno após a morte do conquistador.
O vice-rei da Índia D. Afonso de Albuquerque (1453-1515) conquista Ormuz, Goa, Málaca e Áden, fundando um imenso império português na Ásia.As riquezas do Oriente e do Ocidente começam a afluir a Lisboa, cujo porto procuram navios de todas as nações. D. Manuel deslumbra a Europa com o esplendor de sua corte, onde brilham Gil Vicente e Bernardim Ribeiro. Surgem do solo o Mosteiro dos Jerônimos, a Torre de Belém, Santa Cruz de Coimbra, o Convento de Tomar e outras maravilhas arquitetônicas.
No final de seu reinado, de 1519 a 1521, uma frota capitaneada por Fernão de Magalhães completa,
a serviço de Portugal, a primeira circunavegação do globo terrestre.15. D. João III,
o Prudente (1521-1557)Filho de D. Manuel I
Em 1533, o vice-rei do Brasil, Martim Afonso de Souza, conquista o istmo do Panamá, que rapidamente ganha importância estratégica e comercial como principal passagem entre os oceanos Atlântico e Pacífico e entre os impérios do Novo Mundo.
D. João III promoveu uma importante reforma da Universidade de Coimbra,
mandou fundar novas universidades em Lisboa, Salvador e Goa e empenhou-se na colonização das Índias, do Brasil e da África. Mandou vir do estrangeiro destacados mestres para reger suas cátedras e estimular as letras, a arquitetura, as ciências e as artes, incluindo Leonardo da Vinci e Miguel Ângelo Buonarotti. Promoveu o desenvolvimento das manufaturas na metrópole e nas colônias, fazendo de Portugal não só um rico entreposto comercial, como também um produtor de riquezas à altura de competir com os holandeses. Em 1535 ofereceu asilo a Tomás Moro, chanceler do rei da Inglaterra Henrique VIII que caíra em desgraça ao se recusar a reconhecer o poder espiritual do rei e fez dele um dos seus principais conselheiros.(1) Colombo português?! Isto obviamente não é a história real – nela, Colombo descobriu as Antilhas não a serviço do rei de Portugal e sim dos reis da Espanha Fernando e Isabel. Mas a hipótese de que Colombo tenha sido português (e não genovês, como dizem geralmente os livros de história) não é apenas mais um dos meus delírios. A verdadeira origem de Colombo é bastante controvertida e há uma tese segundo a qual teria sido um neto do judeu português João Gonçalves Zarco, o descobridor de Porto Santo (Madeira) em 1418, que teve uma filha chamada Isabel Gonçalves Zarco. O sobrenome estaria relacionado à Sinagoga do Arco ou Zarco, ainda hoje existente na cidade de Tomar, Portugal.
Nesse caso, o verdadeiro nome de Colombo seria Salvador Fernandes Zarco. A hipótese se baseia num monograma que Colombo usava para assinar suas cartas, que parece conter as letras SFZ e a seguinte sigla:
: XpõFERENS . /
que pode ser interpretada assim: colon (dois pontos) + Cristõ + vão (=ferens) + semicolon (sinal equivalente a ponto e vírgula), que dá Cristovão Colon, seu "nome de guerra" – ou, como aparece em documentos da época, Cristofõm Colon. Cristõ está por Salvador (Cristo como Salvador), Ferens por Fernandes e Colon por Zarco: a palavra colon, em grego, seria equivalente a Zarco, em hebraico (ver explicação detalhada em
http://www.apol.net/dightonrock/columbus_was_100_portuguese.htm). Além disso, entre os nomes dados por Colombo/Zarco aos acidentes geográficos que descobriu há vários nomes portugueses – incluindo Santarém, Curaçao, Faro, Belém, Touro, Ponta, Porto -, mas nenhum italiano. O nome de Salvador dado à primeira terra que descobriu (a ilha das Bahamas chamada pelos nativos de Guanahani e hoje conhecida como Watling) seria seu próprio nome.Nesse caso, Zarco ou Colombo teria nascido no povoado de Cuba, no Alentejo (que teria dado nome à maior ilha do Caribe) em 1448 e, com seis anos, acompanhou sua mãe à ilha de Porto Santo, depois que ela se casou com Diogo Afonso Aguiar. Começou sua vida marítima aos 14 anos nas caravelas portuguesas que exploravam a África e depois se casou com Filipa Moniz de Perestrelo, filha de Bartolomeu Perestrelo, governador da ilha da Madeira. Tiveram um filho legítimo, Diogo Colon, nascido em Portugal.
Salvador Fernandes Zarco serviu por mais de dez anos nas caravelas portuguesas, o que seria mais uma prova de sua nacionalidade: por decreto de D. João II, na época só súditos portugueses podiam servir nos navios portugueses – estrangeiros teriam sido jogados ao mar, por ordem do Rei. Porém, teve de fugir de Portugal em 1484 por ter-se comprometido com a conspiração dos Braganças contra o rei. Na minha história alternativa, ele teve um excelente álibi: sejam quais fossem suas inclinações políticas, Zarco/Colombo na ocasião estava literalmente do outro lado do planeta, pois o Novo Mundo foi descoberto dez anos mais cedo.